O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.

Candidato a Herói da Pátria

Livro de Aço
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Benedito José Viana da Costa Nunes


(1929-2011)



Após conhecer a história desse Candidato a Herói da Pátria, não perca a oportunidade de visitar Símbolos Municipais e conhecer o brasão, a bandeira e o hino dos 5.571 munícipios brasileiros.



O nome do paraense Benedito José Viana da Costa Nunes (1929-2011) é considerado, não de hoje, uma instituição nacional e global: já transcendeu a figura humana e chegou à de ícone pelo que sempre representará nos âmbitos da educação, da filosofia e da crítica literária intercontinental. De acordo com eminentes especialistas, suas obras e intervenções intelectuais são referências absolutas e, por conta disso, tornaram-se um monumento inestimável para a cultura e o pensamento da sociedade brasileira contemporânea.

Não são poucos os registros acerca da sua importância como autêntico gênio, facilmente acessíveis na web e nos círculos acadêmicos. A conceituada revista “Cult”, em sua edição física nº 231, de fevereiro de 2018, destinou-lhe a capa com o título “Dossiê Benedito Nunes – O Filósofo da Poesia”, apresentando o subtítulo “Estudiosos que conviveram com o crítico paraense analisam a
importância de sua obra para a vida intelectual brasileira”. No editorial da publicação, a jornalista Daysi Bregantini, com nítida admiração, assim escreveu:

“No Norte do país, na capital do Pará – estado ornamentado pela riqueza da Floresta Amazônica – nasceu, no dia 21 de novembro de 1929, um dos grandes tesouros do Brasil: Benedito José Viana da Costa Nunes, Bené para os seus muitos amigos”.

Ela continuou algumas linhas mais abaixo:

“Sua extensa atividade intelectual de importância inquestionável é profundamente original e aproxima a literatura da filosofia em um diálogo poético e crítico”.

Cita que Benedito Nunes “foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, (hoje ligada à UFPA), onde se aposentou em 1998 como professor emérito” e de ter lecionado e dirigido “seminários nos Estados Unidos, Canadá e em diversos países da Europa, sempre com grande repercussão, mas nunca deixou o Pará, por mais que insistissem em convidá-lo para viver no eixo da chamada ‘rota cultural’”.

Informa também o editorial que “foi casado com Maria Syilvia Nunes, diretora de teatro, e amigo de pessoas das mais variadas formações, além de filósofos como Foucault, Paul Ricceur, Merleu-Ponty e Ernani Chaves (...)”. A editora Daysi Bregantini assim finaliza: “Benedito Nunes morreu no dia 27 de fevereiro de 2011, em Belém do Pará, e deixa uma obra definitiva que o coloca
como um do grandes pensadores do mundo”.

A Cult reúne seis textos de especialistas retratando enfoques diversos de Benedito Nunes. O primeiro, assinado pelo ilustre professor e filósofo Ernani Chaves, organizador do “dossiê”, tem o título de “O mestre que ria”, em que afirma-se em subtítulo: “A obra de Benedito Nunes ocupa um lugar imprescindível no cenário cultural brasileiro, tornando o crítico um interlocutor fundamental no campo dos estudos de estética e filosofia da arte”.

O segundo texto, “Benedito Nunes e o teatro, assinado por José Denis de Oliveira Bezerra, diz-se que ele “foi um dos principais articuladores do movimento teatral paraense”. O terceiro artigo, “A crítica de Guimarães Rosa”, Silvio Holanda aponta que os estudos empreendidos pelo mestre paraense “mudaram definitivamente a leitura do maior romancista brasileiro do século 20”.

Já Marco Aurélio Werle, em sua análise “Intérprete de Heidegger”, declara que “Benedito Nunes possui uma vasta produção como crítico da literatura brasileira: obras sobre Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Mário Faustino, Machado de Assis, Oswald de Andrade etc.”.

E mais: “Também escreveu livros de divulgação e de formação crítica, na área da filosofia e da teoria literária, destinados aos público mais amplo e universitário. Em ‘Introdução à Filosofia da Arte’, ‘A Filosofia Contemporânea’ e ‘O Tempo da Narrativa’, notamos uma grande desenvoltura junto à linguagem acadêmica mais restrita e a divulgação da filosofia e da literatura para o grande público. Muitos de seus textos publicados em livro foram antes escritos para suplementos literários de jornais, principalmente dos anos 1960 e 1970, quando a filosofia e literatura pareciam ainda ter uma presença mais forte nos meios escritos de comunicação”.

O autor do ensaio conclui a linha de pensamento declarando: “É diante desse quadro que se coloca a sua dedicação ao pensamento de Heidegger, principalmente no que se refere aos textos do filósofo relacionados à linguagem e à poesia. Ser heideggeriano foi, para Benedito Nunes, mover-se num certo espaço de jogo entre a trama da existência e a emergência de logos. Heidegger
permitiu-lhe uma liberdade de pensamento, uma abertura para temas que muitos outros quadros teóricos ou chaves de interpretação literária não propiciavam”.

A eminente professora Lilia Silvestre Chaves – organizadora e coparticipante do antológico “O Amigo Bené – Fazedor de Rumos” (Secult/PA), um “livro de memórias”, como ela mesma classificou – traça para a revista a relação de amizade e interatividade de Benedito Nunes com vários intelectuais paraenses de destaque, como os poetas Mário Faustino, Max Martins e Ruy
Barata, além do romancista Haroldo Maranhão, todos igualmente de saudosa memória.

Ela relata que “Benedito Nunes, na juventude, escreveu poemas (seus ‘pecadilhos juvenis’) e prosa de ficção, ao lado das primeiras reflexões críticofilosóficas (...)”. Lilia informa: “Em ‘Meu Caminho na Crítica’, Nunes explica que seu interesse intelectual não nasce nem acaba no campo da crítica literária. ‘Amplificado à compreensão das obras de arte, incluindo as literárias, é também extensivo, em conjunto, à interpretação da cultura e à explicação da Natureza. Um interesse reflexivo, abrangente e, portanto, mais filosófico do que literário’”.

Na concepção textual de Henry Burnet na Cult, “Ausência e presença de um filósofo”, com o subtítulo “Poesia e filosofia moviam-se conjuntamente na obra do autor, ela própria, sutilmente e, a seu modo, transgressora”, ele salienta que, quando ingressou em 1991 no curso de Filosofia da Universidade Federal do Pará (UFPA), Benedito Nunes “já era conhecido no círculo universitário brasileiro e internacional”. Burnet afirma que a influência do crítico e filósofo “sempre foi, de várias maneiras, inescapável para todos os meus colegas de geração, os ‘não alunos’”. “Hoje tento oferecer aos meus alunos acesso à obra deste crítico e filósofo, apontando traços de sua atuação intelectual que me parecem fundamentais”.

A revista ainda oferece uma “bibliografia indicada” com a curadoria do filósofo Ernani Chaves, na qual estão relacionados os principais livros de Benedito Nunes: “Passagem para o Poético: Filosofia e Poesia de Heidegger” (Edições Loyola, 2012), “O Tempo da Narrativa” (Edições Loyola, 2013), “O Drama da Linguagem: Uma Leitura de Clarice Lispector” (Editora Ática, 1989), “No Tempo do Niilismo e Outros Ensaios” (Edições Loyola, 1993), “O Nietzsche de Heidegger” (Pazulin, 2000), “A Rosa o que é de Rosa” (Difel, 2013), “Introdução à Filosofia da Arte” (Loyola, 2016), “O Dorso do Tigre” (Editora 34, 2009), “Oswald Canibal” (Perspectiva, 1979), “João Cabral: A Máquina do Poema” (Editora da UnB, 2007), “A Clave do Poético” (Companhia das Letras, 2009), “Ensaios Filosóficos” (WMF Martins Fontes, 2010) e “Heidegger” (Loyola, 2017).

O Boletim Ciências Humanas do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), volume 6, número 2, correspondente ao período de maio a agosto de 2011, deu a capa a Benedito Nunes, em tom preto, solene, mas sem título algum. Apenas grafou seu nome com os anos de nascimento e morte junto a uma foto bastante conhecida, denotando o seu olhar doce e uma expressão sorridente. A edição especial diz em sua Carta do Editor que “Nunes foi um dos mais destacados intelectuais brasileiros, ativo professor universitário, autor de centenas de textos que iluminam a fortuna crítica relacionada aos principais romancistas e poetas da Língua Portuguesa, e também aos grandes filósofos de nosso tempo e do passado”.

No boletim, com comentários de pesquisadores de diferentes formações e interesses sobre a qualidade e diversidade da obra de Benedito Nunes e mapeando análises críticas, é informado que o intelectual paraense “foi agraciado com as maiores distinções do campo literário e científico, como o Prêmio Jabuti, que ganhou duas vezes; o Prêmio Machado de Assis; o Prêmio Multicultural
Estadão; o Prêmio Almirante Álvaro Alberto; e a Ordem do Mérito Cultural, sendo esta o reconhecimento do Estado pela contribuição relevante à cultura brasileira”. Afirma-se ainda que “os escritos de Benedito Nunes tocam diversos campos do conhecimento, sendo referências para as ciências humanas, a literatura e as artes”.

Com onze capítulos assinados por grandes expressões paraenses e de fora do Estado, o já citado livro “O Amigo Bené – Fazedor de Rumos”, organizado com zelo, meticulosidade e brilho pela professora Lilia Silvestre Chaves, é um tributo merecido a Benedito Nunes, tecido por estudiosos de variadas áreas, muitos deles amigos e admiradores, que foram impactados e/ou influenciados por sua genialidade – e que abrem o coração em saudosismo e gratidão.

Benedito José Viana da Costa Nunes é candidato a Herói da Pátria Brasileira, conforme o Projeto de Lei 253/2025, que propõe a inclusão de seu nome no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.

  • Autoria: Raimundo Santos
  • Ementa: Inscreve o nome de Benedito José Viana da Costa Nunes no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”.


Registro atualizado em 09/02/2026 19:40, visualizado 63 vezes.