O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.
Após conhecer a história desse Heroína da Pátria, não perca a oportunidade de visitar Símbolos Municipais e conhecer o brasão, a bandeira e o hino dos 5.571 munícipios brasileiros.
Margarida Maria Alves nasceu em Alagoa Grande, Paraíba, em 5 de agosto de 1933. Filha mais nova de uma família de nove irmãos, viveu no Sítio Jacu, zona rural de Alagoa Grande, até os 22 anos, quando sua família foi expulsa da terra por grandes latifundiários. Começou a trabalhar no campo aos oito anos de idade e estudou até a 4ª série do antigo ensino primário. Casou-se com Severino Cassemiro Alves e teve um filho, José de Arimatéia Alves.
Tornou-se presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande em 1973, aos 40 anos, sendo uma das primeiras mulheres a assumir um cargo de direção sindical no Brasil. Durante sua gestão, criou um programa de alfabetização de adultos, inspirado na pedagogia de Paulo Freire, e moveu mais de 100 ações na Justiça do Trabalho de Alagoa Grande, enfrentando os interesses de grandes proprietários de terras e usineiros de açúcar.
Sua luta era pelos direitos básicos dos trabalhadores rurais, como carteira de trabalho assinada, 13º salário, jornada de trabalho de oito horas diárias, férias e licença maternidade. Também lutava para que os trabalhadores pudessem cultivar suas próprias terras e pelo direito do fim do trabalho infantil nas lavouras e canaviais.
Em 12 de agosto de 1983, foi assassinada com um tiro de espingarda calibre 12, no rosto, na frente de sua casa, em Alagoa Grande. Seu marido e seu filho de 8 anos presenciaram o crime. A militante já vinha recebendo ameaças de morte por telefonemas e cartas. O crime teve grande repercussão nacional e internacional e foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Vários fazendeiros e pistoleiros foram denunciados e julgados pelo crime, mas nenhum foi condenado. A casa simples em que morava foi comprada pela Prefeitura Municipal de Alagoa Grande e transformada em museu em 26 de agosto de 2001. Em 2012, o dia 12 de agosto foi instituído como Dia Nacional dos Direitos Humanos, em referência à data do assassinato de Margarida Alves.
Sua luta e ações inspiraram a Marcha das Margaridas, manifestação realizada por mulheres trabalhadoras rurais brasileiras desde 2000, que integra a agenda permanente do Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR).
Em 16/08/2023, Margarida Maria Alves foi declarada Heroína da Pátria Brasileira pela Lei Federal nº 14.649 (Projeto de Lei 4.288/2016 ), tendo o seu nome inscrito no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.
Registro atualizado em 19/11/2025 02:51, visualizado 313 vezes.